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Textos Jornadas de Cartel

Oppenheimer

por Mônica Fujimura Leite

Muitos filmes já foram feitos sobre a 2 guerra e sobre a bomba atômica, mas o interessante do argumento deste filme de Christopher Nolan, lançado recentemente, é que ele gira em torno de um nome: Julius Robert Oppenheimer[1], e tratada questão sob a perspectiva desta pessoa.

Este fato me despertou o desejo de trabalhar os conceitos estudados nos dois anos de cartel com as colegas, do seminário 9, no que diz respeito ao nome próprio e à identificação, a partir do que Lacan desenvolve sobre o significante e o traço unário ao longo daquele ano.

1. O que é identificação

No senso comum o nome próprio serve para identificar as pessoas, e cada qual se reconhece em seu próprio nome. Como no caso deste personagem de que escolhi trabalhar, entra-se para a História a partir de seu nome. Um nome atrela a uma identidade, nos identificamos a partir dele e nos identificamos a ele. Porém este processo não é tão simples nem direto quanto parece. 

De partida, na Psicanálise, o conceito que diz respeito à identidade não significa “idêntico a si”, como no pressuposto descartiano que propõe a premissa: “penso, logo sou”. Esta se sustenta, segundo Lacan, a partir da lógica do signo, em que uma coisa remete a uma outra coisa (A = A).  Nas palavras de Lacan (1961/2003, p. 63): “Um signo representa alguma coisa para alguém”.

No mesmo trabalho, ele propõe, a partir de Freud, que um sujeito que não se garante pelo próprio pensamento, o que ele afirma (enuncia) de si mesmo não corresponde a quem é. Exemplifica com a frase “eu minto”, que se tomarmos pelo enunciado diz que o ser é mentiroso, mas ao mesmo tempo está falando a verdade, constituindo um paradoxo (LACAN, 1961/2003, p. 63, p. 19-20). Ele usa disso para dizer que existe uma verdade para além do sentido conhecido (da consciência).

Ele diferencia a partir disso o sujeito do enunciado (eu) do sujeito da enunciação (sujeito do inconsciente), que não se confunde com a mensagem anunciada.

No caso da identificação (é este o termo que Lacan propõe) esta é do sujeito com o significante, ou ainda (LACAN, 1961/2003, p.25) “a (...) identificação é uma identificação significante”.

2. O que é significante e a inscrição significante

Acredito não ser novidade para ninguém que Lacan atribui ao humano uma relação ao significante e não ao signo. Ao longo do seminário 9 (assim como em todos os textos que trabalhou na época) ele desenvolve que o significante[2] remete à diferença. Nele, a relação com a coisa está apagada. Ele em si não quer dizer nada, precisa da oposição a outro significante, que delimitará também sua posição, para chegar a ter uma significação.

 Neste trabalho Lacan desenvolve (1961/2003) que para que o significante se inscreva são necessários três tempos: o primeiro de inscrição da marca, o segundo de apagamento e o terceiro de cerceamento de onde estaria a marca. É o apagamento do traço que possibilita o advento do significante, por isso ele não está colado a um significado, mas advirá somente a partir da articulação com outros significantes. Lacan diz que “o significante não presentifica um objeto” (...) mas “representa o sujeito para um outro significante” (p. 65), colocando-o numa disposição metonímica.

O psicanalista já trabalha esta mesma premissa no texto “A Instância da Letra no Inconsciente” (de 1957/1998), que está nos Escritos. Lá ele traz a expressão ‘cadeia significante’ e nos remete à imagem de um colar de anéis interligados. Com isso ele sustenta a ideia de que o significado advém desta disposição, articulada por um sujeito, em uma combinatória de representações. 

Importa ainda lembrar que o significante lacaniano não é o mesmo da linguística saussuriana: ele inverte a fórmula saussuriana e sustenta uma supremacia do significante em relação ao significado, ainda abre a célula que liga significado e significante, desarticulando uma ligação fixa entre eles.

No seminário 9 (1961/2003) ele avança nestas questões e acrescenta que o significante tem como suporte o traço unário (“osignificante é constituído como traço”). 

3. Traço unário

Sendo o suporte do significante, o traço unário seria o que tem de comum em todo significante. Ele acrescenta que o traço unário[3] implica em uma pura diferença, mas não de ordem qualitativa, é um risco simples que marca uma experiência, mas reduzida de tal forma que não é possível reconhecer nada de específico nela, ou seja, não denota uma singularidade da experiência, nem, por outro lado, uma semelhança com os riscos das próximas experiências. Por outro lado, não possibilita uma somatória de traços, pois não constituem uma mesma coisa, cada um marca uma experiência singular.

Ele fala da marcação que os homens das cavernas faziam das caçadas, que são significantes, pois não identificam uma imagem relacionada a um objeto em específico (p. 90-91).

É em relação ao traço unário que Lacan vai desenvolver a teoria da identificação. Ele retira inicialmente o conceito de Freud (1921/2006), que em “Psicologia das massas e análise do eu” trata de três tipos de identificação.A pré-edípica com incorporação do objeto, que surgeprimeiramente em Três ensaios... (1905/1996), denominada canibal ou fase oral (Lacan fala de “devoração assimilante”, onde ocorre uma incorporação;a identificação parcial, tomando apenas um traço do objeto, onde o abandono do objeto amado produz uma regressão e identificação a ele (FREUD, 1921; LACAN, 1969); e por fim, a identificação com o outro, por intermédio do desejo (histérica).

Na Jornada de 2022, trabalhei com Cruglack (2001), em seu livro “A Clínica da Indentificação”, o desdobramento que Lacan faz a partir disso, relacionando na sequência, a primeira à identificação ao pai, a segunda ao traço unário (LACAN, 1961, P. 225) e a terceira ao sintoma.

Assim, ele usa este conceito para reafirmar que a primeira apreensão de si próprio é dada pelo outro. Ocorre, segundo Lacan (1961/2003), uma relação primordial dealienação a um Outro que pré destina sua identidade.

A despeito de o Outro ser um lugar (da linguagem, do discurso social), penso que ele se atrela às relações que o sujeito estabelece ao longo da vida, que fazem referência ao ideal que ele constitui a partir do desejo do Outro. Lacan nos remete à situação exemplar da mãe, que fala para o sujeito e lhe situa no lugar que o Outro e o discurso o esperam desde sempre, desde antes de seu nascimento, lugar no qual o sujeito tem que se situar (p. 199).

O processo que Lacan traz no Seminário 9 (1961/2003) como identificação ao significante implica em que o sujeito realize uma leitura desta marca inicial, dada pelo Outro. Ele diz que (p. 63) é a partir dessa diferença que o sujeito pode constituir o seu Ideal de eu.  Ao fim deste processo o sujeito se constitui ou nãoportador desse traço unário” (Lacan, 1961, p. 171).

Para ilustrar este processo, retomo o filme escolhido, lembrando que é uma ilustração artística apenas para fins didáticos, por isso nem equiparo com a vida real de Oppenheimer, diferente de uma situação clínica, onde escutamos a história a partir da fala do paciente em transferência.

Existe um momento na história em que Julius fica cativo de ter sido reconhecido em suas pesquisas pela classe militar, interessada nos fins bélicos de seu trabalho. Ele abraça o que lhe é demandado passando a se trajar (literalmente eem suas ações) de militar e político. É motivado em suas pesquisas pela possibilidade de o regime nazista desenvolver antes dos EUA a tecnologia para a construção de uma bomba atômica. Isso lhe é devolvido pela fala de seus amigoscientistas, um lhe diz para tirar a roupa de militar, e que ele deve responder desde o lugarde que foi contratado. Em outra cena outro amigo o critica dizendo que ele não é mais cientista, pois nãopesquisa mais nada, apenas dedica-se a vender a ciência para os políticos.

A partir do uso do experimento para fins bélicos, e as catastróficas consequências queele gera, Julius entra numa crise, e a euforia inicial que culminou no sucesso de seu empreendimento deu lugar à tristeza e culpa. Se tomarmos o filme como uma narrativa do personagem acerca de sua produção, podemos pensar a partir da teoria lacaniana do significante, que é significado a partir da articulação com outros significantes, na cadeia discursiva dosujeito.

Quando lhe perguntamem que momento ele mudou de perspectiva quanto ao prosseguimento das pesquisas sobre afissão atômica (e consequente construção da bomba), ele responde que foi quando se deu conta de que tal tecnologia poderia destruir o mundo. A significação só advém a partir dos significantes que vêm em seguida, ela não estádada a priori.

Uma das cenas que mais me impactou foi quando ele vai até o presidente Truman e mostra-se arrependido, e não orgulhoso de seu feito. Neste momento o político lhe diz que ninguém liga para quem produziu a bomba, as pessoas lembrarão dele,que foi quem mandou soltá-la. Porém isso não lhe serve de consolo, Julius se apega ao nome que lhe é atribuído pelo discurso social, de “O pai da bomba atômica”.

Para Lacan, um dos lugares oferecidos pelo Outro é o nome próprio, é ele que institui um primeiro lugar para o sujeito no discurso social. Nas palavras de Lacan (1957/1998, p. 498), em “A Instância da Letra no Inconsciente”: “Também o sujeito, se pode parecer servo da linguagem, o é ainda mais de um discurso em cujo movimento universal seu lugar já está inscrito em seu nascimento, nem que seja sob a forma de seu nome próprio”

 No seminário 9 (1961-62/2003) ele também nos lembra da importância que o nome próprio tem para o sujeito, e que devemos estar atentos à forma como chamamos nossos pacientes. Lembrei de um caso em que o paciente tinha dois nomes, e que fazia equivalência de características bem marcantes e opostas, com um e com o outro. Um deles tinha orgulho e fazia referência à sua vida adulta, onde construiu um patrimônio e se reconhece como corajoso, resiliente e bem sucedido; e o outro era o de sua infância, marcada por vergonha, insegurança e dor. Quando pergunto por qual nome quer ser chamado, ele escolhe o primeiro, porém traz em sua análise o segundo, invariavelmente, é dele que trata na verdade. O primeiro foi a imagem correspondente a um ideal, para atender a demanda do Outro.

4. Nome próprio

Desta forma, o nome próprio serve como um elemento privilegiado para mostrar a relação de identificação que o sujeito estabelece com um traço. O psicanalista ainda assegura que a transmissão de um nome é da ordem da letra.

Ele diz que ele é ligado à escrita, mantendo sua estrutura, independente da língua. Nas palavras de Lacan (1961-62, p. 94): “O que distingue um nome próprio […] é que de uma língua para outra isso se conserva em sua estrutura, sua estrutura sonora; […] e isso em razão da afinidade justamente do nome próprio com a marca”.

Um nome próprio não está atrelado a um significado. Ele pode até ter um significado por exemplo, Coelho refere-se ao animal de orelhas compridas, em inglês, rabbit. Mas enquanto substantivo próprio não equivale a nenhuma significação, e em qualquer língua sua estrutura se mantém intacta (mesmo podendo sofrer variações da língua, o nome próprio não é traduzível de idioma para idioma).

Posteriormente ele diz que o nome próprio está mais atrelado à estrutura da linguagem, que se transpõe de uma língua para outra, não se traduz.  Ele diz que naquilo que se fala (enunciado) se elide o sujeito (enunciação), e nesta há a nominação que se constitui como a origem da cadeia significante do sujeito. Mas o sujeito se nomeia sem o saber, diz Lacan, é no efeito de retroação do significante que se denota o significado. E eis a base do que Lacan refere de o inconsciente ser estruturado enquanto linguagem.

Por outro lado, esse conjunto de traços só se torna uma escrita (ou seja, significados) ao serem lidos, nomeados. Ele diz que a escrita precisa ser nomeada (fonetizada) para servir de suporte ao nome próprio. Lacan diz que a nomeação do sujeito é feita a partir da leitura do traço unário.

Isso implica em que o sujeito produza uma leitura singularizada desta herança recebida. Ele não faz uma equivalência identitária a este primeiro traço, ele precisa ser significantizado para que o sujeito passe a fazer uso dele. Conforme trouxe acima quando apresentei a inscrição do significante, esses traços precisam ser apagados para se tornarem significantes, que passam a ter sentido ao serem articulados, tornando-se o horizonte noqual o sujeito se faz e organiza sua identidade.

Para explicar o nascimento do significante e atrelá-lo à dimensão do sujeito humano, ele traz a anedota do passo de Sexta-feira, de Robinson Crusoé: não é a marca da pegada, mas o rastro do apagamento dela que atesta que ali passou um sujeito. Por sua vez, o sujeito do inconsciente, tem essa característica evanescente, de aparecimento e desaparecimento. Um significante só adquire sentido ao ser articulado com outros significantes, e o sujeito aparece no intervalo entre eles (ex. chiste – suspensão do sentido e novo sentido que provoca surpresa e riso).  

Isto é a identificação significante. A fim de se nomear, ao dizer “eu”, o sujeito precisa de outros significantes para dar continuidade à cadeia e produzir uma significação (S1 - $ - S2). No caso de Julius seu nome adquiriu uma significação ao ser atrelado como o criador da bomba.

Um outro fato muito interessante que permite pensar a relação do processo de identificação do sujeito com o Outro (enquanto discurso prévio) é a relação mostrada no filme de Julius com Einstein. Ele mostra o respeito e a admiração ao cientista e remete a ele, em vários momentos, os resultados de seus experimentos. Também leva a Einstein suas dúvidas quanto à continuidade e os possíveisdesdobramentos daqueles e seu dilema ético diante disso. Ele parece pedir autorização a Einstein para prosseguir com o legado que ele deixou (só para lembrar, foi a teoria de Einstein[4] que deu o pontapé inicial para o desenvolvimento das pesquisas da fissão (divisão) nucelar[5] (do átomo)) .  No filme, Einstein diz que o seu tempo já foi, e que a partir de agora a autoria e responsabilidade eram de Oppenheimer.

Articulando com a teoria, poderíamos pensar na relação de Julius com Einsteinnuma referência ao pai, uma vez que foi no encalço das descobertas deste que o primeiroseguiu. Além disso, Julius possuía descendência alemã e judaica, como Einstein (tendo uma motivação pessoal, não apenas humanitária, para lutar contra o nazismo).

Sabemos que Einstein passou por estes mesmos dilemas éticos na sua época. Sua resposta foi se afastar da ciência após isto (diferentede Julius, que assumiu o nome que lhe foi dado (apesar do que Truman lhesinaliza), como o “pai da bomba atômica”. A partir disso torna-se o cientista mais famoso domundo, prestigiado por ter dado fim à 2 Guerra Mundial e atestado a soberania bélica norte-americana. E como resposta, ele passa a usar seuprestígio para alertar sobre os perigos do uso de tal tecnologia para o mundo, e opor-seao que se caracterizou em seguida como a Guerra Fria[6].

 Minha referência ao pai advém do queClara Cruglack (2001) traz, a partir de Lacan, acerca da primeira identificação. No livro supracitado ela diz que esta resulta no Nome-do-Pai, e institui um furo que possibilita as demais identificações[7]. O pai da horda primeva (“referência a Totem e Tabu”) transmite a interdição do gozo e institui o desejo.

  Cruglak (2001) denota que o Nome-do-Pai é obalizador da entrada do sujeito na linguagem, e a partir da entrada na linguagem, o sujeito constitui-se como -1, fruto de uma foraclusão.

Lacan (1961/2003) já acentua neste seminário que é o sujeito que se nomeia, sem o saber. Esta asserção destaca a função nome próprio, o nome como significante que representa o sujeito. Através da alienação o sujeito se identifica a um significante unário, que passa a representá-lo no campo do Outro.

Assim, como Lacan já tratou em outros textos (desde o seminário 1), o primeiro lugar de reconhecimento do sujeito é no Outro (ele fala disso também no (“Instância da Letra”). O segundo efeito da nomeação deJulius foi a submissão dele a um julgamento vexatório e humilhante – perante a CEA (Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos) em 1954 – por conta de associações anteriores dele com instituições e pessoas ligadas ao partido comunista, onde ele tem revogada sua habilitação de segurança[8]. O fato de submeter-se a tal situação é entendida por sua espoa, como umpedido de expiação por sua culpa e perdão por parte de sua nação / berço /pátria.

No seminário 9 Lacan traz a dinâmica entre a Demanda e o desejo, para tratar da relaçãodo sujeito com o Outro[9], sendo o desejo do sujeito uma resposta à demanda do Outro (conforme trabalhei na jornada de 2022).Neste sentido, o “tu és o pai da bomba atômica”, teve emJulius a interpretação de “me tornei a morte, o destruidor de mundos”, referência que ele retira de um livro hindu.

Conforme já citei anteriormente, uma das formas de nomeação, que carrega o desejo do Outro é o nome próprio. O nome é escolhido muitas vezes antes do nascimento do sujeito, e a partir de certo momento ele se identifica a ele, e passa a responder por ele.

Soler (2009), em seu artigo “Os Nomes da Identidade” desenvolve que, para sair de tal alienação, o sujeito adiciona um traço identificador ao nome próprio. Esta operação busca completar o nome herdado com um traço que identifique uma singularidade que permita alcançar, sem possibilidade de confusão, o Um da identidade (Hitler, o homem que mais matou Judeus; Alexandre, o grande, etc). Ou seja, o sujeito adiciona um qualitativo, a partir de seus próprios feitos (p. 173).

Acredito que no âmbito social tal nomeação de Julius como “O pai da bomba atômica” enfatiza os méritos dele, como diz Soler (2009, p.175), a partir da atribuição de títulos relativos a conquistas, a um determinado papel que desempenha na cultura. Desta forma o inscrevem no laço social.

Mas, conforme já disse anteriormente, o significante não possui uma significação a priori. As nomeações marcam o sujeito, e estes significantes passam a ter sentido ao serem articulados, a partir da leitura do sujeito. As identificações significantes comparecem na narrativa dele, no caso dele, não foi motivo de orgulho, pelo contrário, na conversa com Truman ele diz que tem sangue em suas mãos. O peso de seu título atribuído a partir de seus feitos lhe traz culpa e remorso.

A tese desenvolvida por Soler remete aos estudos posteriores de Lacan (seminários 22 e 23), onde ele avança nesta questão da nomeação como algo singular do sujeito, atrelando-a ao sintoma e desenvolve a teoria dos nomes do pai. Tenho muitas questões acerca do desenvolvimento desta, especialmente por questões que a clínica tem me trazido. Sigo decantando-as e ficam os votos para que mais colegas se animem a estudar comigo a temática nos próximos cartéis propostos.



REFERÊNCIAS


Cruglack, C. Clínica da Identificação. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2001.

Freud, S. Psicologia das Massas e Análise do Eu (1921). Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v. 18. Ed.Imago, Rio de Janeiro, 1996.

Freud, S. Por que a guerra? Indagações entre Einstein e Freud (cartas) (1933). Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v. 22. Ed.Imago, Rio de Janeiro, 1996.

 Lacan, J. (1949/1998). O estádio do espelho. In J. Lacan, Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Lacan, J. (1957/1998). A instancia da letra no inconsciente. Escritos, Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Lacan, J. A Identificação: Seminário 1961-62. Recife: Centro de Estudos Freudianos do

Recife, 2003.

Soler, C. (2009). Os nomes da identidade. Trivium: Estudos interdisciplinares psicanálise e cultura, 1(1), 171-177.

 

 



[1] Físico teórico, realizou pesquisas no campo da mecânica quântica e física nuclear. Nasceu em Nova Iorque, em 22 de abril de 1904 e morreu em Princeton em 18 de fevereiro de 1967. Oppenheimer foi o diretor do Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México (em 1943) durante a Segunda Guerra Mundial e é creditado como o "pai da bomba atômica" por seu papel no Projeto Manhattan, o empreendimento de pesquisa e desenvolvimento que criou as primeiras armas nucleares. A liderança e a experiência científica de Oppenheimer foram fundamentais para o sucesso do projeto. Ele estava entre aqueles que observaram o teste Trinity em 16 de julho de 1945, onde a primeira bomba atômica foi detonada com sucesso.

 

[2] O que é significante: Pode ser dito significante, com efeito, todo elemento discreto, isolado e combinado a outros elementos igualmente discretos e isolados, suscetíveis de serem tomados por um sentido ou significado. [...] isto pode ser muito bem uma imagem, até mesmo um gesto. Uma bofetada, por exemplo, evocada certa vez por Lacan, pode ser um significante, desde que entre em uma estrutura combinatória de representações. Um elemento dito somático, uma dor corporal, uma conversão histérica como muito bem analisou Freud, também são elementos significantes (SOLER, 2004).

[3] Lacan (2003, p.49), “é enquanto pura diferença que a unidade, em sua funçãosignificante, se estrutura, se constitui (...) se nomear é antes de tudo algo que tem aver com uma leitura do traço (unário), designando a diferença absoluta”.

[4] Efeito fotoelétrico: fenômeno em que os elétrons de um material (geralmente metálicos) são ejetados quando este material é exposto a certas frequências de luz (ondas eletromagnéticas). Nesse fenômeno, a luz se comporta como partícula, transferindo energia para os elétrons, que são ejetados para fora do material.

 

[5] A bomba nuclear – ou atômica- funciona por meio do processo de fissão dos átomos, que possibilita uma grande liberação de energia a partir de uma quantidade pequena de matéria. A fissão nuclear é a divisão de um átomo instável, pelo bombardeamento de partículas, como um nêutron. Isso gera uma reação em cadeia que vai provocando a fissão nuclear dos outros átomos presentes.

 

[6] Após o fim da guerra, Oppenheimer tornou-se presidente do influente Comitê Consultivo Geral da recém-criada Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos (CEA). Ele fez lobby pelo controle internacional da energia nuclear, para evitar a proliferação nuclear e uma corrida armamentista atômica com a União Soviética.

[7] Lacan utiliza o toro para trabalhar a estrutura do sujeito com este buraco irredutível.

[8] habilitação de segurança (ou credencial de segurança) é um status garantido a indivíduos que permite que eles tenham acesso a informação confidencial, isto é, segredos de estado, ou a áreas restritas após uma completa e minuciosa verificação de antecedentes.

[9]Ele traz a figura de dois toros entrelaçados e diz que as voltas em forma de espiral no entorno do corpodo toro são o que ele chama de Demanda. E o buraco central que se forma destasvoltas reiteradas seria o desejo (p. 187).Um toro seria o sujeito e o outro seria o Outro. Um toro passa pelo buraco central do outro, ou seja, a demanda de um refere-se ao desejo do outro (p. 199-200, 349).

 

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