O problema que se tornou objeto desta comunicação é fruto dos comentários e da leitura feita em conjunto do livro O desejo do psicanalista: liberdade e determinação em psicanálise, de Diana Rabinovich, realizada no grupo Mais Diálogos da Associação Livre Psicanálise Londrina. Desde já, agradeço pela organização do evento, pela oportunidade, e aos meus colegas de grupo, no qual se compuseram tais reflexões.
O objetivo desta comunicação consiste em apresentar a ideia da objetivação do sujeito como fantasma fundamental, e sua pertinência clínica. Pautado na obra de Diana Rabinovich[1], busca-se apresentar o argumento pretendido como subjacente às teses da autora.
Para debater a noção do objeto perdido, Rabinovich[2] se utiliza da discussão sobre o imperativo freudiano “onde isso estava devo eu advir”, em que, n’O Seminário XV: o Ato psicanalítico, de 1967, é trabalhado por Lacan na passagem do objeto a de perda a causa; bem como na produção de um analista e do ato analítico.
Na seara dos termos e noções lacanianas, Rabinovich[3] aponta que, em primeira instância, a falta da qual se fala em psicanálise é uma falta de sujeito, induzida pelo significante. De modo que a primeira aparição do sujeito, como um (-1), caracteriza-se, no imperativo freudiano, como o "ali onde isso estava" primordial, próprio do sujeito como falta. Nisso, a autora reconstrói a ação significante: não se trata da interceptação de um estado anterior, que faz com que se perca algo dali; há a pressuposição de uma falta, instaurada na própria lógica do significante.
A objetivação dessa falta se torna perda: a falta do sujeito, localizada no “isso” do “ali onde isso estava”, torna-se, no inconsciente, objeto da perda. Segundo Rabinovich[4], a causa do desejo, para Lacan, se constitui pela queda do próprio sujeito como objeto a, não do grande Outro como objeto; em outros termos: a causa do desejo, sua razão, não se fundamenta na busca por quaisquer sentidos produzidos no campo do grande Outro, isto é, grosso modo, no laço linguístico-cultural; mas na busca pelo pseudo-ser do próprio sujeito.
De modo que, ao tomar a falta como perda, reveste-se o objeto a, causa da falta do sujeito, de uma auto-consistência pretendida, de uma positivação da falta do sujeito, buscando sua possibilidade no laço linguístico-cultural, no Outro. A impossibilidade de objetivação do sujeito é sua própria causa, e, portanto, busca-se o que se perde, busca-se encontrar, ver a perda, isto é, objetivá-la.
Neste ponto, vale mencionar a obra de Darian Leader[5] O roubo de Mona Lisa, em que o psicanalista comenta a reação popular ao roubo da obra em 1911: uma multidão se aglomerou no Louvre para ver o espaço vazio que a obra ocupava; a maioria, nunca havia visto a pintura quando ela estava ali. O autor reproduz o recorte de um jornal da época, que narra o ocorrido:
“[A multidão] não olhava para outras pinturas, contemplavam, demoradamente, o espaço empoeirado onde a divina Mona Lisa tinha sorrido, na semana anterior. E, febrilmente, tomavam notas. Para eles, aquilo era ainda mais interessante do que se a Gioconda estivesse em seu lugar.”[6]
Pautado no argumento lacaniano, Leader[7] aponta que a multidão reunida no Louvre para ver o vazio deixado pela pintura roubada, demonstra a verdadeira função da obra de arte: evocar o lugar vazio da Coisa.
Nesse sentido, objetivar a falta, ainda que não a aplaque, significa encontrar-se com a falta de algo estava ali e, portanto, pode ter substancialidade, mesmo que perdida, ou roubada.
Apoiada nas lições d’O Seminário XV[8], Rabinovich ressalta o caráter decisivo, para uma análise, de se efetuar a passagem do objeto a – em sua relação com o sujeito –, do estatuto de perda do sujeito, ao de causa do sujeito; a fim de que se possa tomar a falta não como débito subjetivo, mas como motivo da produção do sujeito.
Uma vez que a relação do sujeito em falta com a causa de sua falta – ou seja, o objeto a –, constitui o matema do fantasma, ao aplicar as elaborações lacanianas do seminário do Ato psicanalítico, à constituição do fantasma, Rabinovich deixa entrever as formulações do seminário do ano anterior de Lacan, intitulado A lógica do fantasma[9].
Para o argumento aqui pretendido, ressalta-se, n’O Seminário XIV, a lição de 12 de abril de 1967, na qual Lacan cita A essência do cristianismo, de Feuerbach, dela destacando as seguintes passagens[10]: “o objeto do homem não é outro senão sua essência mesma tomada como objeto”; e, “o objeto ao qual um sujeito também se reporte, por essência e necessariamente, não é outro senão a essência própria desse sujeito, mas objetivado”. Sobre estas afirmações, Lacan propõe a psicanálise como a disciplina capaz de: “dar a esse objeto, [...] essa essência própria do sujeito, mas objetivada, [...] sua verdadeira substância.”[11]
Para o sujeito dividido, que é fruto de sua divisão, a substância do sujeito objetivado não é, senão, sua falta; aqui entendida em um duplo sentido: da impossibilidade de sua apreensão, pressuposta no campo do Outro; e da falta como causa de sua produção.
Em 1960, Lacan indica, em Subversão do sujeito e dialética do desejo[12], que a sigla ($?a) representa o algoritmo do fantasma, este que é: “o ‘estojo’ daquele [Eu] que é primordialmente recalcado”[13]. O fantasma cumpre uma função que parece estabelecer, portanto, o espaço onde o sujeito pode alocar sua substancialidade pretendida, enquanto ficção, em resposta à falta constituinte.
Mais tarde, no mesmo ano de 1960, em Posição do inconsciente[14], o psicanalista francês implementa a dinâmica desta função quando afirma que, na lógica simbólica, o sujeito intersecciona sua falta à falta do Outro, na produção de um pertencimento negativo, que institui a falta do Outro como sua própria falta, perdida. Nas palavras de Lacan:
“Essa função modifica-se, aqui, por uma parte retirada da falta pela falta, através da qual o sujeito reencontra no desejo do Outro sua equivalência ao que ele é como sujeito do inconsciente. Por essa via, o sujeito se realiza na perda em que surgiu como inconsciente, mediante a falta que produz no Outro. [...] O que ele [o sujeito] coloca aí [no desejo do Outro] é sua própria falta, sob a forma da falta que produziria no Outro por seu próprio desaparecimento.”[15]
Assim, é no desejo do Outro que o sujeito encontra, por correspondência, o que é como sujeito barrado, ou seja, como falta de sujeito. Nesta equiparação, o sujeito é levado a tomar a falta do Outro como falta de si, como ausência, como sua perda para o Outro.
Nesta passagem, Rabinovich lê a equivalência entre os termos do sujeito barrado e do objeto a. Segundo a autora:
“o sujeito dividido do significante é equivalente ao objeto a no que diz respeito ao desejo do Outro, de modo tal que [...] ambos os componentes da fórmula do fantasma são o sujeito. O objeto não é outro além do sujeito, $ e objeto a são o sujeito.[16]
Neste movimento, colocando-se como objeto perdido do Outro, o sujeito pode pressupor sua objetividade; mesmo que na falta do Outro, ou como um objeto para sempre perdido. Tem-se, nesse movimento, a objetivação do sujeito no fantasma.
Se seis anos mais tarde, em seu Seminário XIV[17],Lacan volta a tratar do fantasma, ele o faz desde seu estatuto lógico, ou seja, naquilo que o é mais fundamental. Em 1966, Lacan busca a formalização da relação entre o sujeito barrado e o objeto a, da qual pretende deduzir sua estrutura a partir da lógica do significante[18]. Ou seja, produzir uma dedução lógica do fantasma fundamental, a partir da falta primeira, aquela pressuposta e instituída pela lógica do significante.
Se a tentativa de Lacan foi bem-sucedida ou não, foge à alçada desta exposição debater. Entretanto, se esta tarefa pressupõe a formalização do que é tido como uma perda, que está fundamentada em uma falta constituinte, a configuração do fantasma como objetivação do sujeito, tal como lido em Rabinovich, parece atender a uma configuração lógica, deduzida do significante, que organiza o sujeito em função de uma falta de si, fundamental.
Se o matema do fantasma descreve a relação do sujeito em falta, com a causa de sua falta; o fantasma fundamental deve constituir, assim, uma organização primeira frente à falta do Outro, em estatuto de referente para outras formas possíveis da relação do sujeito com o Outro.
Nesse sentido, ao apontar a correspondência entre sujeito e objeto a, a leitura de Rabinovich[19] parece fornecer uma articulação possível para se pensar a objetivação do sujeito como fantasma fundamental.
O fantasma fundamental de um sujeito que não pode ser outro que não sua falta, estará pautado na relação que estabelecerá com a causa de sua falta, ou seja, essa alteridade irredutível, este azinho, partícula inerente à lógica do significante, que impede o fechamento da significação. Essa partícula inapreensível – própria da operação significante –, que não pode ser representada, ou seja, objetivada, se situará, no fantasma fundamental, portanto, como tentativa de apreendê-la enquanto objeto, a. Ao passo que, uma vez objetivada a causa de sua falta, poderia o sujeito mesmo se objetivar, em resposta à falta deste campo do Outro que o constitui.
Rabinovich lembra, a partir do Seminário XIV, que o sujeito cartesiano é condição da psicanálise[20]. Se em Subversão do sujeito, Lacan propõe efetuar a subversão do sujeito cartesiano[21], e n’O Seminário XIV[22], sua inversão, é porque vai pensar aí o lugar de incidência das irrupções propostas pela teoria psicanalítica. Ou seja, é sobre a configuração do sujeito como res cogitans, substância pensante – mesmo que imaterial –, que o dispositivo analítico incide alguma destituição. O que não deixa de levantar a pergunta sobre o que há de tão fundamental no sujeito cartesiano que deva ser invertido ou subvertido, aos olhos do psicanalista francês.
Segundo Foucault[23], é em Descartes[24] que o longo processo de formação do pensamento ocidental sobre o sujeito culmina: na certeza de uma autorreferência interna e hipostasiada de um eu pensante, que deve ser escrutinado. Ou seja, a objetivação do sujeito.
Ainda que Lacan afirme que o sujeito cartesiano é o pressuposto do inconsciente[25], o fantasma fundamental, enquanto o matema ($ ? a), não designa um significado, apenas uma escritura lógica da operação do fantasma. Por isso, para não incorrer em um argumento deshistoricizado, ou transcendental, pode-se pensar a objetivação do sujeito como fantasma fundamental, do pensamento Ocidental.
Essa disposição encontra lastro na prática clínica, uma vez que o sujeito só encontra sua falta na relação com o Outro, da qual fala. Retomando Rabinovich[26]:
“Não é possível dizer o que falta ao próprio sujeito, pois ao próprio sujeito não falta nada. O que falta ao sujeito é essa relação com o desejo do Outro, pois deseja o Outro enquanto desejante. Por isso, interroga-se a respeito de se pode faltar ao Outro no nível do desejo.”.
Nesse sentido, o que se inscreve no âmbito fundamental do fantasma é a tentativa do sujeito de objetivar sua falta, de positivá-la, de ter acesso a ela; e, a partir disso, toma-se como objeto perdido do desejo do Outro. Para Rabinovich, essa relação é o que se desvela em uma análise, ao passo que: “O fundamento do conceito de final de análise é essa articulação muito precisa entre falta, perda e causa, onde deve ficar claro o que se perde”[27].
Assim, entende-se o processo de uma análise, enquanto travessia do fantasma, como processo que permite ao sujeito perceber sua relação com as formas com que pretendia se apreender, objetivado, através do campo do Outro.
Neste escopo, admite-se que o que se perde em uma análise, é a própria perda, isto é: a própria falta objetivada no desejo do Outro, que é tomada como perda. O processo de uma análise faz perder a perda, para que a falta se torne causa.
Uma análise é marcada pela passagem, na relação do sujeito com sua própria falta: de uma perda, que falta; a um resto, que causa. Assim, a partir de Rabinovich[28], pensa-se o tratamento analítico como um processo de desobjetivação do sujeito, em que se passa, portanto, da falta como perda de si, à falta como causa de si.
Nesse sentido, o tratamento da falta do sujeito, em uma análise, não consiste em aceitar a falta de forma resignada – o que levaria à lamúria do niilismo; mas na travessia do niilismo, em transpor a falta: do lugar de um objeto a ser preenchido, objetivado, visto, apreendido; para o de uma “anterioridade”, no sentido de fundamento, pressuposto, ou, causa do sujeito. Para Rabinovich[29], o produto desta passagem constitui a produção de uma margem de liberdade, e a meta da psicanálise.
Em alusão aos termos psicanalíticos, ao transpor a lógica da passagem da perda à causa, ao campo das produções artísticas, é possível dizer que: se inventando memórias, Manoel de Barros pôde dizer ser, como as moscas, um apanhador de desperdícios, que ama os restos[30]; ou, que um dia, amanheceria passarinho[31], e que desveria o mundo, como ave[32]; é porque, poeta das inutilezas, apanhou sua falta como causa de seu voo.
Resta, agora, apanhar as lacunas, incongruências e perguntas que surgirem desta exposição, da crítica dos pares, e do trabalho em grupo sobre a questão do desejo do psicanalista, como causa da continuidade de sua investigação.
Obrigado.
REFERÊNCIAS:
BARROS, M. Menino do mato. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2015.
DESCARTES, R. Discurso do método. Tradução de João Cruz Costa. Rio de Janeiro: Ediouro, 1993.
FIGUEIRA, J. Manoel de Barros amanheceu passarinho. Tribuna de Macau, 18 nov. 2014. Disponível em: <https://jtm.com.mo/opiniao/manoel-de-barros-amanheceu-passarinho/. Acesso em: 7 ago. 2026.
FOUCAULT, M. A Hermenêutica do Sujeito: Curso dado no Collège de France (1981-1982). São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010.
FOUCAULT, M. História da Sexualidade IV: As Confissões da Carne. São Paulo: Paz e Terra, 2022.
LACAN, J. O Seminário, livro 14: a lógica do fantasma (1966-1967). Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Zahar, 2024.
LACAN, J. O Seminário, livro 15: O ato psicanalítico (1967-1968). Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Zahar, 2025.
LACAN, J. Posição do Inconsciente no Congresso de Bonneval. In: LACAN, J. Escritos. trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p. 843-864.
LACAN, J. Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano. In: LACAN, J. Escritos. trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p. 807-842.
LEADER, D. Stealing the Mona Lisa: what art stops us from seeing. New York: Counterpoint, 2003.
RABINOVICH, D. S. O desejo do psicanalista: liberdade e determinação em psicanálise. trad. Paloma Vidal. Rio de Janeiro: Companhia de Freud
[1] RABINOVICH, D. S. O desejo do psicanalista: liberdade e determinação em psicanálise. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2000.
[2] Ibidem.
[3] Ibidem. p. 82.
[4] Ibidem. p. 84.
[5] LEADER, D. Stealing the Mona Lisa: what art stops us from seeing. New York: Counterpoint, 2003.
[6] Ibidem. p. 66. [tradução nossa].
[7] Ibidem. p. 66.
[8] LACAN, J. O Seminário, livro 15: O ato psicanalítico (1967-1968). Rio de Janeiro: Zahar, 2025.
[9] Idem. O Seminário, livro 14: a lógica do fantasma (1966-1967). Rio de Janeiro: Zahar, 2024.
[10] Ibidem. p. 300.
[11] Ibidem. p. 300.
[12] Idem. Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano. In: Idem. Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p. 807-842.
[13] Ibidem. p. 831.
[14] Idem. Posição do Inconsciente no Congresso de Bonneval. In: Idem. Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p. 843-864.
[15] Ibidem. p. 856-858.
[16] RABINOVICH, D. S. O desejo do psicanalista: liberdade e determinação em psicanálise. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2000. p. 118.
[17] Idem. O Seminário, livro 14: a lógica do fantasma (1966-1967). Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Zahar, 2024.
[18] Ibidem. p. 12.
[19] RABINOVICH, D. S. O desejo do psicanalista: liberdade e determinação em psicanálise. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2000. p. 118.
[20] Ibidem. p. 134.
[21] LACAN, J. Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano. In: Idem. Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p.823-824.
[22] Idem. O Seminário, livro 14: a lógica do fantasma (1966-1967). Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Zahar, 2024.
[23] FOUCAULT, M. História da Sexualidade IV: As Confissões da Carne. São Paulo: Paz e Terra, 2022. p. 451; Idem. A Hermenêutica do Sujeito: Curso dado no Collège de France (1981-1982). São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010. p. 212-269.
[24] DESCARTES, R. Discurso do método. Rio de Janeiro: Ediouro, 1993.
[25] LACAN, J. Posição do Inconsciente no Congresso de Bonneval. In: LACAN, J. Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p. 853.
[26] RABINOVICH, D. S. O desejo do psicanalista: liberdade e determinação em psicanálise. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2000. p. 85.
[27] Ibidem. p. 84.
[28] Ibidem. p. 113.
[29] Ibidem. p. 93.
[30] BARROS, M. O apanhador de desperdícios. In: Idem. Memórias inventadas: a infância. São Paulo: Editora Planeta, 2003. p. 24.
[31] FIGUEIRA, J. Manoel de Barros amanheceu passarinho. Tribuna de Macau, 18 nov. 2014. Manoel de Barros amanheceu passarinho.
[32] BARROS, M. Menino do mato. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2015. p. 11-12.